segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A Casa Abandonada


Era uma tarde quente de verão, eu e meu amigo decidimos ir ao rio para da um mergulho, foi uma pausa bem-vinda por causa do calor sufocante. Embalamos o almoço, algumas bebidas e trouxemos a minha câmera, no caso de eu ver algo interessante para fotografar para meu projeto da faculdade. Nós montamos as barracas e fomos para o cais de bicicleta, nadamos por algumas horas, e então fizemos o nosso caminho de volta pela rota ciclovia que ficava ao lado do rio. Ao longo do caminho eu indiquei um edifício de tijolo vermelho para o meu amigo, dizendo quantas vezes nós passamos por aquele lugar, e nunca entramos. A curiosidade foi maior daquela vez e nós pulamos a cerca de metal e arrombamos a porta.

...







Aquele lugar tinha uma estrutura totalmente abalada, notava-se que estava á muito esquecida e que tinha visto melhores dias, o telhado tinha parcialmente cedido e as ervas daninhas e arbustos quase cobriam o teto inteiramente. O interior era sombrio, a luz que penetrava, naquele fim de tarde, era amarelada e fazia o local parecer ter um tom de sépia, as janelas de vidro estavam quebradas e o chão estava coberto de garrafas de cerveja vazias, pontas de cigarro e ratos mortos. A parede do fundo era imunda, e havia um colchão, o lugar inteiro fedia a urina velha e ratos podres. Meu amigo estava muito nervoso queria sair dali de qualquer modo, mas eu queria ver o que havia nos outros quartos. Explorando mais eu encontrei um pequeno banheiro, o interior do vaso quebrado estava recheado com folhas e mofo, na pia de plástico havia três pequenos esqueletos de aves mumificadas. Meu amigo disse que não estava se sentindo bem e disse que esperaria por mim, lá fora.


Ao lado do quarto com o colchão havia outro espaço com uma mesa de madeira no centro. A luz aqui era muito fraca, pois a janela havia sido bloqueada com caixas de papelão. Sobre a mesa, um pano maltrapilho vermelho, e uma série de frascos e garrafas. Segurando um dos recipientes contra a luz vejo dentro algo carnudo e flutuante. Todos os outros jarros continham fragmentos de ossos, dentes, um foi estava preenchido com cinzas. Eu não sei o que continha naquelas garrafas, mas todas elas tinham um odor desagradável. Este lugar tanto fascinou e como me perturbou, eu não conseguia parar de olhar. Tirei várias fotografias das garrafas e frascos e algumas das aves mortas na pia.

Como eu estava prestes a sair deste lugar o meu olhar foi atraído para uma caixa de lata pelo colchão. Dentro deste havia fotografias antigas, de um menino em um balanço, uma noiva e um noivo, um cachorro, uma velha em uma cama que estava dormindo ou morta. Houve também um cavalo de brinquedo com as pernas quebradas, um relógio que já não funcionava, os mostradores havia parado em um minuto passado 12, e envolto em um lenço rosa foi um conjunto de dentaduras amareladas. Fiz questão de colocar a caixa de volta exatamente onde eu encontrei, quando noto no colchão um detalhe que eu não tinha visto antes, havia o contorno definido de um corpo estampado nele da cor marrom, era nojento, parecia que alguém tinha se decomposto ali. Eu tirei a última foto do colchão imundo antes de deixar o casebre sombrio. Meu amigo estava esperando ansiosamente por mim lá fora, andando em volta da casa, e dizendo o quanto o lugar era fantasmagórico.


Num dia que se seguiu, na faculdade, eu estava no departamento de fotografia revelando minhas fotos tiradas naquele fim e semana anterior. Eu coloquei todas as fotos para secar e analisei cada uma para ver quais melhorias que poderiam ser feitas, como aplicar contraste, quando vi algo que fez meu coração parar. Em uma foto que eu tirei das garrafas e frascos, aparece uma figura escura pode ser claramente visto em pé no canto escuro da sala. É uma sombra esgueirada de uma pessoa desdentada com olhos furiosos, frios e mortos. 



Imagens:  Nuno On The Road  / 

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